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sábado, 15 de julho de 2017

Será mesmo apenas um sonho?


Era um dia como outro qualquer, em que eu estava indo a reunião ao qual eu frequento todas as semanas. Naquele dia uma amiga estava indo comigo. Vou chama-lá de Joana. Eu e Joana estávamos atrasada para a reunião e, por isso, eu dava passos largos para chegar a tempo da palestra. O motivo do atraso eu não consigo me recordar, mas o atraso me deixava bem nervosa. Eu nunca soube lidar muito bem com atrasos. Depois de um tempo caminhando, finalmente chegamos ao nosso destino. Porém, o local não era bem o que eu esperava encontrar. Como já disse anteriormente, eu frequento essas reuniões semanalmente, mas cheguei a um lugar um tanto quanto diferente do que eu estava acostumada. 

Era o meu lugar, mas, ao mesmo tempo, não era. Era o local ao qual eu estava me dirigindo, mas, ao mesmo tempo, não era. Ao chegar, eu fui recebida, bem na entrada, por uma mulher, que chamarei de Fátima. Fátima me recebeu com um belo sorriso, apesar da minha expressão um tanto quanto cansada, por ter vindo correndo para não me atrasar tanto. Fátima, cuidadosamente, me pediu que ficasse calma e a única coisa que eu pedia era desculpas, pelo meu atraso. Foi então que Fátima me disse para ficar tranquila, pois eles estavam me aguardando. Confesso que não compreendi muito bem aquilo, mas Fátima tinha o dom de me deixar tranquila.

Segui por um corredor largo e estreito com Fátima. Não me recordo mais de Joana comigo a partir desse momento. Nesse corredor cruzamos com poucas pessoas, mas, praticamente todas elas vestiam roupas brancas. A propósito, todo o local onde estávamos era, também, cercado de paredes bem branquinhas. Ao final do corredor, um homem me esperava e o mesmo me foi apresentado por Fátima. Após essa breve apresentação, como num passe de mágica, eu me vi em uma área externa daquele lugar, em uma roda, cercada por vários homens, todos eles vestindo roupa branca e com uma aparência muito tranquila. Apesar de ser uma situação extremamente estranha para mim e totalmente diferente do que eu estava acostumada a vivenciar, semanalmente, em minhas reuniões, aquele lugar, aquelas pessoas me traziam uma sensação muito boa de paz, de tranquilidade e de segurança. Era muito bom estar ali, naquele momento, cercada por aqueles homens que pareciam estar em oração.

Porém, em outro passe de mágica, eu agora me vi no meio de outra roda e em outro lugar totalmente diferente daquele que me trazia paz. Agora, a sensação não era mais de paz e tranquilidade, mas sim de medo, de angustia, de uma grande tristeza. Agora, a roda em que eu estava era formada por mulheres, mulheres que me olhavam com muita raiva. Mulheres que me chutavam e pareciam estar com muita raiva de mim. Foi então que, de repente, enquanto aquelas mulheres pareciam me punir com chutes e xingamentos, eu vi um homem sendo carregado por outros homens. Vou chamá-lo de José. Apesar de estar distante, era nítido que José estava sendo levado a força e era mais nítido ainda o sofrimento daquele homem. Apesar de não conseguir ver o rosto de José de forma nítida, eu me lembro que ele era moreno e vestia trajes que o faziam parecer um cigano.

Naquele momento, ver aquele homem sendo carregado daquela maneira me doía mais do que a dor física que meu corpo estava sendo submetido. Aquilo me causava uma dor lá no fundo do meu coração. Foi então que ouvi José gritar meu nome. Era um grito tão forte dentro de mim que minha única vontade era de sair correndo ao seu encontro. Mas, eu não consegui fazer isso e, logo após o grito de José, eu só consegui ouvir o barulho ensurdecedor de um único tiro. Naquele momento, nem os chutes que feriam a minha carne conseguiam ser tão dolorosos quanto a dor que eu sentia em meu coração ao ouvir aquele barulho. Fez-se, naquele momento, um silêncio tão grande dentro de mim que parecia que, finalmente, tinham conseguido atingir.

Naquele momento eu despertei e pude então perceber que tudo aquilo não se passava de um sonho. Eu ainda estava na minha casa, deitada e a noite ainda pairava lá fora. Porém, eu não conseguia me levantar da cama porque estava com muito medo e porque meu corpo e meu coração pareciam, realmente, ter passado por um grande e triste momento de tortura. E na minha mente só vinha a lembrança daquele homem. E no meu coração só restava a dor causada por aquele estrondoso tiro.