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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A difícil tarefa de se estabelecer um relacionamento

Viver a dois é difícil. Iniciar a um relacionamento a dois é muito mais. Às vezes, me questiono sobre quando essa dificuldade teve seu inicio. Quando paramos para conversar com aqueles de mais idade, aqueles que trazem a experiência junto consigo, percebemos, claramente, que essa dificuldade não é tão antiga quanto parece. É comum nossas mães afirmarem que, na época delas, namorar ou casar era apenas uma questão de tempo. Tudo bem que esses relacionamentos eram, muitas das vezes, relacionamentos arranjados. Mas, arranjados ou não, a verdade é que, naquela época, existia algo que hoje em dia não se vê mais: o interesse de estar ao lado do outro.

Em contrapartida, hoje em dia, se sentarmos para prosear em uma rodinha de amigas, o primeiro conselho que vamos escutar das nossas companheiras, quando estamos na eminência de um relacionamento, é o de que não devemos criar expectativas. Ou seja, de acordo com as regras atuais, nunca devemos deixar crescer, dentro de nós, a vontade de estar ao lado do outro. A regra é deixar acontecer naturalmente. Quer dizer, não tão naturalmente assim, porque é preciso agir com frieza, é preciso demonstrar que você não quer para, quem sabe, ter aquilo que você tanto deseja: a presença do outro ao seu lado.

Estamos vivenciando, em pouco tempo, uma grande inversão de ideias. Em um tempo não tão distante assim, nós, mulheres, éramos obrigadas, muitas das vezes, a fingirmos interesse pelo outro. Dessa forma, o outro se sentia seguro no que diz respeito aquele relacionamento que ele desejava, de toda forma, construir conosco. Hoje não! Hoje é preciso mostrar que você ama a liberdade, que você está afim, apenas, de uma boa noite de prazer, para que o cara fique tranquilo e, quem sabe, comece a se interessar, finalmente, por você. Para que ele pense, talvez, em construir um relacionamento com você.

A verdade é que se antes era difícil manter um relacionamento, hoje a dificuldade é de se criar um relacionamento. É preciso viver como se estivéssemos pisando em ovos, o tempo todo. Pensar, um milhão de vezes, antes de dizer um simples: "Ei, eu gostaria de te conhecer melhor", porque se expressar de forma simples e verdadeira faz com que o outro crie um medo absurdo com relação a nossa pessoa. Porque uma frase, uma palavra dita fora do padrão estabelecido faz com que você coloque em dúvida a sua postura de mulher bem resolvida e nada disposta a desenvolver um relacionamento com o outro.

Texto publicado no Jornal Rio - Zona Sul em 02/2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Será possível comprar a tal da felicidade?

Vou dar inicio a esse texto dizendo que já foi comprovado, por experiência própria, que o dinheiro compra a felicidade. Sei que pode parecer um tanto quanto ilusório, mas quem é que nunca ficou feliz com a compra da casa própria ou com aquela viagem que, finalmente, conseguiu realizar? Pois é, a grande constatação é de que toda essa felicidade não poderia se tornar real se não fosse o tal do dinheiro. Mas, e quando não estamos falando de bens materiais, de bens intelectuais e coisas do tipo? E quando estamos falando de coisas que não nos cabe ver, que podemos, simplesmente, sentir. Será que, para esses casos, podemos, também, comprar a tal da felicidade?

Por muitos anos eu digo que responderia com um saudoso não a esse questionamento. Afinal de contas, em minha humilde sabedoria, nós jamais seriamos capazes de comprar coisas intangíveis, de comprar a felicidade que não se encontrar, por ai, numa imobiliária ou em uma agencia de turismo. Mas, como a vida é uma eterna mudança, hoje em dia eu já digo que não é bem assim que as coisas funcionam. Por mais absurdo que possa parecer, nós, seremos humanos, somos capazes de comprar essa felicidade invisível a olho nu, essa felicidade, simplesmente, sentida por nós.

Vamos pensar o seguinte: será que todos os relacionamentos são tão naturais e verdadeiros quanto parecem ser? É obvio que não e ponto final. Quantos relacionamentos categorizados como por interesse a gente vê por ai. É a mulher carente que recebe todo o amor e carinho que sempre desejou de um cara que só está com ela por algum interesse próprio. Ou o homem solitário que encontra companhia nos braços de uma mulher que tem por ele, apenas, grande respeito e gratidão. Amor? Amor passa bem longe desses casos.

Creio que se estivéssemos em outra época, como no período em que o casamento era algo arranjado pelas famílias, esse tipo de relacionamento, talvez, não nos chamasse tanto a atenção. Hoje, nós estamos num momento em que somos livres para dirigirmos a nossa vida, mas ainda não, necessariamente, autossuficientes. Embora a liberdade seja uma vitória conquistada por nós ao longo de todos esses anos, ainda não fomos capazes de nos libertarmos da falta que o outro faz em nossas vidas. 

Diante de tudo isso eu me questiono se é errado comprar a felicidade que o outro tem a nos oferecer. Se eu posso, racionalmente falando, comprar uma felicidade, um momento de prazer, um motivo que me ajude a ver o mundo levemente cor de rosa, qual erro há nisso? Talvez, o erro esteja em não assumir, para si mesmo, que essa felicidade não é algo que caiu do céu, como nos contos de fadas. Mas, sim uma felicidade que, de alguma forma, nós conseguimos adquirir. Uma felicidade do mundo real. Talvez, erro maior seja deixarmos de viver momentos felizes, pelo simples fato de sabermos que eles não são tão naturais quanto gostaríamos que fossem. Afinal de contas, viver é uma junção de pequenos momentos de felicidade, sejam eles contos de fadas ou contos da vida real.

Texto publicado no Jornal Rio - Zona Sul em 01/2017